domingo, 5 de junho de 2011

Como não se empolgar? [poema]



Acorda, Bonito! É dia de Sol.
E a vida está em toda parte.
Assim, o Domingo me despertou na manhã de hoje...
Sorrindo para mim, me exibindo
Que a noite outrora foi encantadora
E que o dia de agora está transbordando de vontades...
Não é por pouco que a Natureza do Coração
é encontrar Aquele que será
o problema desejado de suas insônias.
E o melhor, a Intuição já indica segura
onde está O Prometido e Desejado!
Ai, a Alma se apressa...
O Espírito é terra fértil,
e ainda improdutiva.
E como toda Fome tem pressa,
A busca com resultado animador por vida
é como a chuva do deserto:
rara, incerta, concentrada e abundante em instantes rápidos.
Urgência por calor! Não dá para se viver sozinho.
É o Outro a Lua que faz das marés Frutos do Mar.
O que fazer? Apenas se permitir aos caprichos
Do que pode vir a ser Amor...
As flores riem contentes...
Após noite de chuva, o dia é de Sol forte;
e muita vida está no ar, na terra, na água!
E que os insetos sejam mais do que estão:
irrompam os limites da racionalidade
e transgridam a normalidade.
Afinal, Loucura é mais que deleite,
é necessidade de quem não quer só passar e passar...



DEDICADO À PESSOA QUE MAIS ME IMPORTA NO MOMENTO. E COMO VIDA É FEITO DE MOMENTOS, CREIO NA INTUIÇÃO DO CORAÇÃO E ACREDITO QUE É MAIS QUE ESPECIAL; É A POSSIBILIDADE DE SONHOS SE TORNAREM VIDAS VIVIDAS. 

Diógenes Pereira. Salvador-Ba, 10h:51min, 05/06/2011.

domingo, 29 de maio de 2011

Ai se pudesse... [crônica]


Mal começa o primeiro dia útil, e a mente já traz o alerta: Muita coisa para ser feita! Sem demora, recorro à agenda improvisada, um pedaço de papel no qual anoto tudo que deverei, em tese, fazer durante cada dia de toda semana – isso se conseguir, né?
Pego o papel com certa indiferença e aguda ojeriza. Olho, penso, paro, revejo, analiso, e não sei por onde começar.  É tanta coisa que mente fica confusa. Ainda não consegui me recuperar do fim de semana ligeiro. Lembranças são vivas. Saudades e gostinho de quero muito mais...  Inevitável, o desejo ao ócio é latejante. Fantasia emerge efervescente. Sonhos delirantes tomam a cena. Ai por que não nasci rico, ou não ganho na Megasena, ou por que não me aparece um Amor muito bilionário, ou não invento algo porradão que me dê logo muito dinheiro? Por que trabalhar, Diabo? Quem inventou essa que o trabalho dignifica a pessoa? Essa vida é o oh!
Resultado, não me adapto, de jeito algum, à ideia de que hoje está prestes a começar outra semana de mais um mês de um ano que está voando. Detalhe, eu não fiz nada ainda! Desespero! Não! Indignado, continuo a me questionar: Por que as coisas têm que ser assim? Por que tudo não é mais fácil? Por que lazer é como sal na feijoada? E logo Realidade esfrega na cara: obrigações, deveres, responsabilidades.  Se quer luxo na vida, deve suar para desfrutar! Contas estão aí para serem pagas; e planos, metas, objetivo e viagens estão aguardando o bambá que sustentará o orçamento de cada mês. Resignação mostra a ponta do nariz.
Ai Deus! Muita coisa de uma vez só para uma pobre alma que só deseja praia, praia e mais praia... Qual o mal em querer ser Boemia em pessoa? Por que dinheiro não dá como mato de beira de estrada? Ou simpatia não garante o pão-e-circo? Mas não... Muita cobrança. Tudo em tempo contadíssimo, gritando urgência e perfeição. É pra ontem, tem que ser o melhor do ótimo! Chega! Assim, não há peão que aguente! Adoeço fácil de trabalhotide crônica terminal. O corpo amolece, o sorriso se desfaz e os olhos fitam o ar moribundos. A inércia me toma. E paraliso toda atividade mental e física que lembre trabalho! Zumbi.
Não demora e logo bate um repentino desespero: Meu Deus, preciso acordar para vida! Já tô quase na casa dos trintas e ainda moro com mãeinha! Cadê meu carro e minha tão sonhada liberdade em MEU LAR? E as viagens para Europa, Caribe, Austrália, O mundo? Não posso ser fraco, não devo desistir. Coragem, Criatura! Força, Homem! Idas e vindas... Nessa onda que fica o espírito: ora consciência forçada de querer sem-querer trabalhar, ora a insanidade de jogar tudo pra cima e ver no que vai dar. Merda!
A cabeça não dá sinais de que quer trabalhar, mesmo sabendo que Juiz não se faz Senhor por lei nem decreto da Boa vontade, mas, sim, por meio de muito trabalho e dor de cuca! Quero eu morrer com a pedra na mão de quem vive quebrando coco? Não mesmo! Faço mais um esforço, outro, outros. Nada! A coragem já se despediu faz tempo. A vontade é de não fazer nada e mandar tudo se lenhar. Simples assim: vá se... Pra quê tanto trabalho? Por que tanta obrigação? Aí o relógio arrota que já são horas. O Dia tá passando... Não tem jeito. Acorda, Alice de Cachoeira! Você não é uma Telles e Porto Alcântara; sua estirpe é a dos da Silva, dos Santos, de Jesus. Ralar é sua sina. Pegue já sua pedra e vá logo quebrar coco, viu. Tome rumo, Sem-fututo!
Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Desse jeito, cedo à rotina e aos deveres: trabalho. Isso ainda me resta um pouquinho. O consolo fica querendo me aliviar as juntas: tudo passa, até a dor, e mais depois vem a sombra. Não desista, continue firme e forte. Fácil falar; terrível é fazer disso prática em hodierno!
O dia chega ao fim finalmente. Com ele, vem a noite. E é aí que nada pode me segurar: delírios... Sonho mesmo. Devaneio legal em minhas loucuras. Sou quem quero e faço o que desejo. Na realidade da ficção, Rato é rei e Leão come capim sem reclamar!
Vem, Maria, se junta a Rodolfo e vamos fazer a nossa Côte d’Azur aqui mesmo no quintal... hehehehe
E outro dia se aproxima... (risos)


Por Diógenes Pereira. Salvador-ba, 29/05/2011.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

ESTÁ ACONTECENDO... [POEMA]


Esquisita paciência está aqui
Nem parece que daqui a pouco transgredirei a rotina
Não há suscitação de autorrecomendações
Nem prescrições do que seria indispensável
Não ocorrem expectativas
É uma sensação estranha
que não se confunde nem um pouco com paz
Também não é vazio
Sei que existe algo
Sei também que não é ruim
Tampouco não é maravilhoso
É estranhamente confortável
Até demais para a situação
Estou começando a achar que,
Num momento extremamente raro,


Não estou me sentindo incompleto,
Necessitando de algo ou alguém
Por que isso logo agora?
De que me alimentei
ou estou me satisfazendo?
Retroalimentação, antropofagismo?
Ou seria Diocídio?
Ou quem sabe morte e ressurreição?
Por hora, não me vem respostas; apenas alguns moribundos estranhamentos
Somados à única necessidade de compartilhar o incomum que se derrama de mim. O que me resta? Seguir...
Até mais logo. Quando? Não sei.
Hoje me parece o dia das incertezas
morosas...

DIÓ. SSA-BA, 21/04/2011.
Dio. 21/04/2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

COISAS DITAS NO FACE [REUNIÃO DE PENSAMENTOS]

COPIADOS NA ÍNTEGRA DO FACEBOOK:

Não quero o ódio em meu coração! Me esforço sinceramente para entender aquele que me tem como monstro. Procuro logo o entender, me colocando em seu lugar; assim, tento escrutar sua razão e compartilhar sua dor. compreensão perspicaz é um bom começo e tolerância genuína, verdadeira sabedoria. Não é por menos que é rezado: o bem gera o bem, a gentileza, gentileza.
  Flores aos que nos ferem, mesmo sendo isso uma ação muito difícil de se empreender! Tentemos, pois...

 Acabei de ficar aterrorizado como algumas pessoas conseguem potencializar a estupidez! Acredite: há pessoas que não sabem suscitar e cultivar o bem e a paz; elas desejam ardentemente a inimizade. Não é por menos que elas são abarrotadas de vaidade, arrogância, prepotência e intolerância. Estupidez!

Por que o sentimento é assim: Senhor de sua vontade? Por que a gente simplesmente não consegue esquecer aquele que nos ignora e ponto final? Infelizmente não dá. Existe outra razão nos domínios onde o Coração é rei absoluto e soberano! E Só o tempo para curar algumas mágoas, frustrações e nos trazer de volta a liberdade com muitos sorrisos.

Hoje está um dia chato em Salvador. Tempo nublado, sem sol. Isso traz solidão. Faz a gente lembrar da pessoa que a gente ainda gosta...

 É Fácil saber o que não quero; difícil é ter certeza do que quero. Porém, quando não há dúvidas do que desejo, vou à luta inspirado. Atropelo muitas coisas; ajo, muitas vezes, por instinto, impulso ou empolgação; e me atrapalho justamente logo no que é mais potente em mim: as palavras. Saldo: muita saia-justa, constrangimento, e alguns poucos amigos. É duro ser e estar Dió! rs


DIÓGENES P. SILVA. SSA-BA, ESTA SEMANA: 20/04/2011. 


. [POEMA]


SIMPLESMENTE VEM E COMO UM BARCO ENTRE ONDAS SOBE E DESCE SEM O MENOR AVISO ORA ESTOU NA SEGURANÇA DA MUDANÇA INEVITÁVEL ORA RETORNO A LEMBRANÇAS E SAUDADE TRAZ MUITO MAIS QUE SEU ROSTO OUTRAS SÃO AS MISTURAS DE SENSAÇÕES LÁGRIMAS SÃO MAIS TÍMIDAS E TEMPERAMENTO JÁ É MAIS AMENO AFINAL ESPERANÇA É APENAS UM FIAPO PESTES A SER DESMANTELADO FRENTE À SALIVA DA VIDA
 DE NOVO? A CADA INSTANTE UMA VERDADE NEGADA E UMA MENTIRA ACEITA
E OUTRA VEZ O SUBJUNTIVO ECOA NA ALMA
E SE...

DI. SALVADOR, BA, ACHO QUE ANTEONTEM, DIA 18/04/2011.

NUM TAPA [CRÔNICA]



6:30h da manhã, o celular desperta em vão. Eu já estava acordado. Sobre a cama, revivia os melhores momentos do sonho há pouco interrompido. Foi o corpo que exigia calor alheio. Foi a alma pedindo aconchego. Foi o espírito necessitando de paz. Nada de anormal. Apenas coisas que infalivelmente se repetem entre pessoas ao longo de gerações...
Mesmo durante anos acreditando o contrário, comigo não foi diferente! Chega um momento da vida em que as vontades e os desejos deixam de ser egoístas e passam a estar sedentos por companhia. De certa forma, isso é um grande problema visto que é terrivelmente difícil encontrar alguém realmente especial e interessante, a qual possa tangenciar aquilo que forjamos como ideal. Afinal, não é apenas dividir o tempo com outra pessoa; é provar juntos (e/ou juntas) experiências. Não pode ser qualquer espécime, convenhamos! Tem de ser A Pessoa! E é aí que está o problemão. Por isso, teimava não levantar da cama. Queria provar um pouco mais do Ser maravilhoso que só existia lindo na ficção da mente. Sabia que a realidade de logo-logo seria bem cruel: solidão e carência.
Não dava para adiar por mais tempo. Compromissos me esperavam. Tinha que levantar de uma vez e encarar a rotina massacrante de mais uma distante quarta-feira. De pé, caminho para os fundos. Dia lindo: sol forte, céu azul e muito calor. Detalhe: mês de abril, pleno outono, e nada de chuvas e temperaturas mais amenas. Não é por menos que vivo entre os trópicos, onde as estações se confundem, havendo apenas os meses em que mais chove e aqueles em que menos chove. Sempre há calor – raras exceções existem é claro, principalmente entre junho e julho.
Debruço sobre a pia. 15 minutos é o tempo que gasto para escovar os dentes. Rotina chata. Entre o vai-e-vem da mão preguiçosa segurando a escova de dente e a boca cheia de escuma da pasta dental, os pensamentos dão a volta ao mundo e até chegam a romper limites intergalácticos. Estava recém-acordado, muito sensível ainda devido os prazeres oníricos ainda em réplicas de manifestação. De repente, se aproxima toda sem-noção uma abelha-mosquito. Insistentemente chata, faz voos circulares ao redor de minha cabeça. Parecia que o cheiro da escuma da pasta de dentes, sabor menta, a atraía. Que irritante! Xô mosquito! Nada. Ela era teimosa. Soprei uma, duas, três. Me ignorou linda e soberba em seu voo tranquilo. Por último, dei uma empurrada com o braço. Ela se afastou. Voo meio sem controle e teve o azar de cair na vasilha de margarina cheia de água e detergente.
De cá, sem fazer nada, apenas observava atento e encantado como todo animal sabe nadar instintivamente, menos o humano (como eu). Como um louco que vê beleza em tudo, assistia bestificado o movimentar do pequeno corpo boiando sobre o líquido. Misturas de imagens viam à mente: ora ela voando graciosa e inocente, ora ela desesperadamente nadando. Estava paralisado! Era estranhamente prazeroso aquela cena real misturada a outras (re)produzidas pela memória. E a abelhinha nadava ávida na solução venenosa a fim de salvar sua vida!
Observei mais um pouco o desespero da bichinha. Não demorou muito e a compaixão em face do sofrimento do serzinho e o respeito pela vida logo chegaram. E quando pensei em fazer algo, ela mesma consegue subir numa espécie de ilha que o Bombril fazia de si em meio ao lago que era a vasilha de margarina. A partir daí, dei mais um tempinho para ver o que aconteceria...
Já na segurança incerta da ilha de Bombril, a abelhinha andava de um lado ao outro. Tentava limpar seu compor sem muito sucesso. O líquido era pegajoso e parecia que tinha grudado em suas asas. Pensei rápido. Se nada fizer, ela vai acabar morrendo intoxicada! Então resolvi intervir de uma vez por todas!
Peguei o animal, coloquei sobre o muro e joguei água limpa sobre ele. Tinha a intenção de limpar seu corpo. Temia que o líquido químico o matasse, afinal aprendi na escola que insetos respiram pela pele. Não adiantou. A ajuda veio tarde demais.
A abelhinha ficou meio tonta, lenta e logo tombou para o lado. Após o tombo, suas seis patas se retraíram para dentro num movimento sincronizado e todo o movimento cessou. Foi tudo muito rápido. Em questão de pouquíssimos segundos, o animal, que há pouco voava livre, saudável e feliz em sua realidade, naquele agora, já era apenas um amontoado sem vida de moléculas em átomos. A morte finalmente.
Num tapa, a vida deu vez à morte. Eu assisti, vivenciei tudinho. Sensível, consegui perceber cada passo, cada passagem, cada momento entre o ápice da vida até o apogeu da morte! Concluí que ambas estão muito próximas, de mãos dadas.
Inevitavelmente, fiquei espantado e surpreso como as coisas mudam tão rapidamente de estado. Me escandalizei ao notar o quanto a vida é frágil e fugaz  e a morte é certa e segura.
Como foi com aquela abelha-mosquito, poderia ter sido ou será comigo ou qualquer pessoa querida. Não sabemos do logo depois. Os imprevistos estão aí para todos. Sei parcialmente do exatamente agora, mas nada controlo ou decido do loguinho depois do agora. Incógnitas... Suspensão... Reflexão...
Uma tristeza suave se assentou sobre mim. Lembrei da experiência da Copa do Mundo, quando eu assassinei uma viuvinha lá na Fazenda Grande. E outra vez um amor gigantesco foi suscitado em mim.
Viver é maravilhoso. Respeitar minha vida e a vida de qualquer um é mais que um dever, é uma satisfação. Agora, já guardo dos carinhos em meu coração: a Viuvinha e a Abelha-mosquito. Que Nossa Senhora protetora dos animaizinhos ou o Orixá dos pequeninos (ou qualquer outra Entidade ou Força Maior) olhem por elas, por mim e por todos nós, amém. Afinal, quem somos nós, criaturas, a não ser objetos de um intricado jogo de azar, no qual o inesperado é o esperado.
 
Diógenes Silva. Salvador-ba, 18/04/2011.