terça-feira, 29 de novembro de 2011

QUEM SOU EU - PARTE II [TEXTO ABSTRATO]



Penso, logo me confundo e não paro de me interrogar e perguntar. A dúvida angustiante e interminável é o agora sem fim, que me leva ao cárcere de uma prisão sem muros: o sujeito que sou, não sou, penso ser, sonharia ser, querem que eu seja, desejam que eu não seja, me forçam ser, me esforço para ser, trabalham para que eu não seja, labuto e teimo para ser; e estou por vontade, desejo, sugestão ou imposição do interno ou do externo ora em conflito mútuo ora em cumplicidade conjugal, na voz dum eu verdadeiro, dissimulado, artista, pedinte, puta, mendigo, Irmã-Dulce, Hitler, dramático, trágico, cômico, lírico, épico, piegas, covarde, sanguinário, assassino, suicida, singular, plural, trivial, burlesco, vil, torpe, mesquinho, tacanho, demoníaco, herói, vadio, boêmio, marionete, ativista sob os limites incertos e confusos de um corpo andróide que é o humano.

Dió. ssa-ba, 29/11/2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

DITOS E DITO [POEMA]


Existe tempo de mudanças?
Não. A mudança é o próprio nascimento que a morte espreita arrogante.
De sonho ou deslize, uma nova história começa a ser desenhada
com tinta incerta sobre base confusa.
Do embrião ao cadáver, tudo sempre está se transformando;
até aquele e aquilo que acredita ou é pensado estar parado no tempo
muda em sua preguiça natural.
Olhar pro vizinho e ver sua ação dali, e você de cá sem movimento que produz,
só faz trazer a inveja como animal de estimação.
Por que ele, e não eu? Olha aí a pergunta que ganha voz.
Você se acha mais nobre?
E o que você me diz de suas vergonhas disfarçadas sobre sua hipocrisia
Carnavalesca?
E os amigos, por onde andam?
Ah, eles se escondem; basta você recorrer a eles em necessidade.
Quem não está só hoje?
E mesmo assim vemos o teatro da felicidade nas fotos e nas palavras de um bocado.
Rir, gargalhar... Não vejo algo melhor ante tanta sacanagem.
Por que não simplificar tudo, né?
Trabalhar pra quê? Estudar para quê? Por que ser útil?
Quanto mais se tem, mais se quer.
A busca por mais e mais só nos tira.
Parabéns aos ignorantes e estúpidos. Eles, sim,
Sabem o que é  a felicidade do cão que só espera pelas horas de comer.

Dio. 25/11/2011

domingo, 9 de outubro de 2011

Entre nós [poema]


Precisa confirmar alguma coisa 
você não percebe 
O tempo é de mudança e transformações
muitas coisas chocam causam nojo  indignação repúdio  ódio
outras nos dão medo pena susto espanto perplexidade
não tem mais família e todos são estranhamente inimigos
infância já brinca de adulto
o prazer já é o ter 
possuindo mesmo em ócio improdutivo
trabalho é a razão de viver
 o dia é um rápido segundo

fingir é a verdade
o lar é a prisão
insatisfação é o desejo
a vaidade é a masmorra que grita em cantos
os olhos indiferentes cinicamente gargalham 
em silêncio delicioso mediante dor alheia
e o sorriso é apenas uma frágil maquiagem da desgraça
tudo parece nos levar à dança da cadeira 
e nesse jogo o ganhador levanta seu troféu
mas não tem com quem compartilhar sua felicidade
Existe prazer vigoroso em ouvir apenas sua voz
de sociedade estamos nos transformando em galinha sem galinheiro

ainda acredita que você é alguém significante entre tantos bilhões
e que merece prioridade em detrimento dos anseios do outro
pena o mundo parece ser tão maravilhoso
contudo começamos a degradá lo aqui dentro
de mim pra você de tu para ele de nós para a gente
mas não é o fim
um começo está nascendo e se criando sadio em suas pretensões
e os filhos da mudança já estão em todos os lugares
acorde ainda dá tempo para sentar e tocar as mãos

Diógenes  ssa ba  09 10 2011

domingo, 18 de setembro de 2011

ENTRE CÃES [CRÔNICA]


Já passavam das 23 horas. Estava preocupado. Tempo ia fácil, e condução não chegava. Há pouco, muita gente; momentos depois, apenas eu e mais alguns. Madrugada já começava a dar seus sinais. Ansiedade já me consumia faminta mais uma vez!
O jeito foi me resignar. Esperar passivo por algo que desconfio: a sorte. – Eu consigo? – Pra me distrair, comecei a varrer com os sentidos toda volta. Nada de novo – por que justamente a busca pelo novo? –; apenas o trivial que passa despercebido. Péra! Que passava... Parei logo na coisa mais indigna para minha ambição no momento. E surpresas fantásticas emergiram do inesperadamente singelo.
            Estavam num movimentado entroncamento de vias. Cães de rua. Puros viralatas. Andavam livres, super à vontade com tanta gente e bastante carro em todas as direções. Provavelmente nascidos ali, já estavam acostumados com toda agitação, estresse e confusão do lugar. Eles faziam parte da paisagem; eram a imagem viva! Definitivamente! E, entre eles, dois, em especial, me roubaram a carisma.
            Uma fêmea e outro que não consegui identificar o sexo. Aparentemente saudáveis e cheios de vigor, perambulavam menino e garota prum lado e pro outro. Vaidosos e cheios de si, saltavam, se mordiam, se cheiravam, cheiravam, se lambiam, se divertiam, se reconheciam, reconheciam, desbravavam, guardavam o que sabiam ser seu, paravam e se coçavam; viviam... Faziam tudo isso ignorando todo o mundo estressado e confuso dos humanos. Aquilo ali para eles era a natureza, a selva, a outra floresta, seu habitat. Havia de tudo. Só não tinham monotonia nem chatice. Tudo era alegrias em novidades.
Melhor que muita gente, os viralatas cruzavam as vias no momento certo. Sabiam os limites das ruas. Tinham fé que a calçada e o canteiro central lhes livrariam da morte matada por atropelamento. Paravam na hora certa. Esperavam pacientes os automóveis passarem. E, só depois da via livre, atravessavam em segurança, mas sempre correndo. Adaptados. Dominavam o pedaço. Imperadores!
Fantasia?  Delírio? Romantismo? Não mesmo. Realidade! Fato visto, apalpado e aprovado!
Que novela agraciava os olhos da alma e preenchiam as mãos do espírito... Vi a Felicidade bem de pertinho. Ali. A poucos metros. Simples. Bem no miolo daquilo que jamais esperaríamos encontrar a tão aspirada Felicidade. Era pobreza e miséria sem meias palavras. Mesmo assim, a Paz estava com os cachorros. Quem poderia imaginar, né?!
O corpo foi relaxando, se animando com o prazer alheio, que tinha sido presenteado a mim numa surpresa linda. Portanto, eu já fazia parte daquela festa. Conectados. Uma coisa só. Não tinha como evitar. Apenas sorria como um tolo e ingênuo. Um puro de coração.
Era lindo de assistir! Inteligência. Companheirismo. Amizade. Amor. Era sincero. Muito mesmo! E foi na labuta de um grupo de cães de rua que encontrei respostas para muitas das lamentações do humano (demasiadamente ou não).
Nunca desejei tanto a pobreza e a simplicidade. Aquilo era o verdadeiro retrato da plenitude. Tão pouco, quase nada, e tudo ao mesmo tempo. Realização. Contradição matemática na qual a subtração resultava na soma! Bendita seja! Não existiam dúvidas que quanto mais ignorante e miserável, mais feliz e em paz consigo e com o mundo se está e se é.
Preocupações zero. Eram os cães. Poderia ser eu também – por que não você, todos nós? – para isso, basta ousar.  Apesar de o passo para transgredir nos parecer difícil, doloroso, inseguro, incerto, após a iniciativa, eu e você já seríamos outros com certeza. E não só sorrisos seriam nossa cara; os risos seriam nossa personalidade!
Quem dera se do lado de cá os humanos fossem como cães do lado de lá; pelo menos como esses viralatas. E ainda chamamos eles de animais; animais irracionais. Hora de rever conceitos, hem!
A Natureza é sábia e a Criação é fantástica! Parabéns.

Dio. Ssa-ba, 17.09/2011.

sábado, 17 de setembro de 2011

OS TRINTA [POEMA EM PROSA]


Os trinta já se aproximam... Parece pouco para uma vida; apenas ilusão de juventude. O que fiz, o que tenho, o que conquistei, o que vou fazer? Essas são autoindagações que são o cafédamanhã, almoço e janta. Contudo, algo é mais significante. E é justamente o tempo que reclama. Coisas que há pouco não se queria. Um sonho. O sonho! Vontades e desejos... Entre as viravoltas da rotina, não tem como ignorar. A mão corre solitária. O corpo saudável já está em estado puta! E mente diz não. É sacanagem pura aceitar a verdade que existem bilhões, e apenas você para provar de sua intimidade. O momento é de doação, mas a quem? Não vem, nunca chega. Até que vem... Em devaneios da imaginação. Irrealidade é a realidade quando os olhos se fecham, o corpo esquenta e o gozo cala tudo. A procura aumenta. A resposta é a mesma. Coração lamenta. E noite é solteira mais uma vez. Apenas um beijo, apenas uma aconchego, apenas um toque, apenas um olhar, apenas um oi. Carência é a força. E sardinha passa a salmão.  Nesta hora, o revólver até aponta para a presa errada, mas não abate nada. Caçador volta pra casa e faz da mão sua amiga. Quem sabe amanhã não será de fato outro dia... E assim esperança não cansa de revezar com resignação. Amigos, e solidão. Certeza: um dia a morte vem.

Dio. Ssa-ba, 17/09/2011.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sobre as folhas de bananeira [texto abstrato]


De fato, a vida é efêmera. Cada instante não tem par. Quando esse é alcançado pela sensibilidade, algo extraordinário acontece. O humano único e cindidamente forjado cede lugar ao humano conectado a uma única coisa só. Confusão de sensações numa infalível certeza espantosamente consciente de si e de outras tantas coisas. É vida! E, quanto vida, existe o belo em absolutamente tudo. Não ocorre exceção.
A noite é agradável. Fim de inverno nas terras deliciosamente aquecidas daquilo que se poetiza Bahia. O ar corre o corpo por todo, dando um banho relaxante com seu frescor. Se foram as armas. Estou sendo preparado em preparando. O melhor estar por vir. O que em volta há pouco era apenas componentes de paisagem, ganha liberdade e vez. Tudo é senhor de si no interior fantástico e intricadamente interligado. A criação!
O céu ganha veste azulvioleta. Poucas nuvens e ausência de estrelas. A Lua vomita sua soberba e arrogância. Gananciosa e dominadora, mergulhada em vaidade, ilumina o espaço. Ora nuvens passam, encobrem ela totalmente; ora, parcialmente. Sensualidade. Jogo emocionante e sedutor. Por fim, vence a força e a beleza. Lua cheia. Personalidade.
Luz cai sobre seres. Fantasia. Romance. Os limites das criaturas são premiados com outras qualidades. E, sobre as folhas de bananeiras, encantadas pelos raios do Sol noturno, constato que não existe gratuidade. O prazer faz parte, sim, da existência.
A noite mostra seu poderio. Beleza chega com pujança, guarnecida daquilo que mais traz medo. O desconhecido. Desconhecido incrustado naquilo que não se pode ver nem reconhecer. Escuridão.
 O preto ganha cor. Lençol de luz prateada debilmente bronzeia tudo que aqui em baixo está sujeito aos caprichos da incompreendida. Gravidade. Prisão é motivo de sorrisos. Vozes e movimentos vários saiam de todos os lados. Criaturas noturnas faziam seu carnaval. E medo casa com coragem. A festa segue seu embalo.
Alma relaxa e espírito se parte em muitos pedaços... Quanto mais, tanto traz. A hora é do gozo. Gozando, vou além, percorro outras distâncias e mais me aproximo daquilo que menos conheço e mais me maltrato sob os murros da incompreensão burra e covarde. O interior indecifrável de imagem no espelho.
Eu. Você. Ele. Nós. Todos. Tudo. O riso se mistura ao choro. Como é gostoso estar vivo e ter certeza que a morte é mais que certa; está aqui, aí, ali, em toda parte.
Acabei de ver um beijaflordanoite...

Dio. Ssa, 11/set/2011.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

GENUÍNO [CRÔNICA]


Alguém consegue escapulir da rotina constantemente, todos os dias, toda hora, sempre ou, no mínimo, na maioria do tempo? Acho muito difícil. Infelizmente (ou felizmente), nossa vida está estrutura em afazeres que se repetem. Não seria eu o estranho ao extremo em face dessa  lei – bem que queria, não posso negar! – Então, me resta, resignado em agitação modorra, executar a tão chata rotina...

Terça-feira de começo de mês. Após uma manhã exaustiva de trabalho, outro dever entre muitos me chama: honrar dívidas. Vou eu pro banco. Como sempre, a lei municipal dos 15 minutos não é respeitada lá. Fico eu em pé numa fila interminável por cerca de uma hora... Para passar tempo, lanço mão da conveniente intimidade com o estranho que o soteropolitano tem. Converso com um e com outra na fila mesmo despretensiosamente. Papo vai longe... Quem vê à distância, pensa que somos amigos de tempos. Risos, toca aqui, pega ali, perguntas privadas... Só mesmo baiano do recôncavo para tolerar tanta intimidade!

Distraído na “entrevista” fora de hora (aleluia!), algo me pega os sentidos. Uma mãe me chega e se senta com seu filho de uns 5 anos numa cadeira bem ao meu lado. A mulher quase que ignora a chatice de estar num banco lotado, polar e consternador. Se volta aos cuidados de seu  filhote. Beijos, carícias, abraços, mimos delicados em constância. Parecia mais uma amante fielmente apaixonada por seu dominador impiedosamente soberbo, arrogante e cheio de vontades e manhas.

Simplesmente, a dedicada mãe criou a redoma materna na qual a sua prole era o núcleo que jamais foi, pode ou será perturbado. Incrível! A dona não largava o lindo garoto por nada. Criaturinha charmosa, uma graça.  Criança formidável, repleta de saúde e rica de todos os bens que sua pobre mãe poderia lhe ofertar.

O guri deveria parecer muito com o pai, pois da mãe só tinha os olhos pedintes numa arrogância intolerante que encantava... Coisa de filho único ou caçula. Logo, concluí que o procriador da criança deveria ser um homem muito importante para aquela mulher humilde. A criaturinha era simplesmente tudo para ela. Isso estava no ar, nos olhos dela, no toque dela, no abraço dela; fato indubitável!

E, como toda criança, não aguentava ver nada que pedia. Um baleiro era mais que tentação, era o terror para ambos (ele que pedia, e não teria; e ela que tinha a única opção: negar sofrivelmente, desconsertada em sua falta de dinheiro). E eu, de cá, já estava muito encantado com o garoto e, sobretudo, com o comportamento fantástico da mãe. Ela não parava de dar amor espontâneo ao seu fio. Lindo demais!

Confesso, não sou muito achegado a crianças, mas o amor que ela unia a mãe me tocou. Não pensei muito. Fui direto pro baleiro e comprei o doce de 2 reais e presenteei: Olá senhora, tudo bem? Vi que seu filho queria muito isto. Tome, dê para ele. Não moço. Não precisa, não. Deixa de bobagem. Vamos, pegue! Muito obrigada. Deus lhe pague. E senti nos olhos e nos risos que se seguiram a satisfação de ambos. Gratificante!

Deixei que eles dois curtissem o momento. Amor. Depois, me aproximei outra vez e fiz um elogio sincero à mãe: Senhora, você está de parabéns. Hoje é muito raro ver alguém com tanto cuidado com seu filho. A falta de amor e compromisso com o próximo somado ao completo egoísmo, ganância, vaidade e intolerância dominam o mundo. Todos vivem estressados e sem tempo. Só querem saber de si. O que importa é dinheiro, sucesso e status. A senhora e seu filho são o contraste que o mundo precisa! Vejo em vocês um verdadeiro oásis nesse deserto que é a humanidade. E ela só fez agradecer timidamente. Certamente na estupidez enciclopédica dela, não compreendeu tudo o que eu lhe disse; porém, sentiu que eu estava lhe acariciando com palavras genuínas frente a um comportamento genuíno. Lindo! Simplicidade que me fez ganhar a semana sem dúvidas! Mais uma experiência que somei. Sorriso e risos... Satisfação!

Dio. Salvador, 30/08/2011.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

ESPECIFICIDADE [REFLEXÃO]


O coco é duro, a cabeça também.
Com força ou destreza, podemos quebrar.
Do coco sai leite e água, refresca e dar prazer;
da cabeça escapole apenas miolos, que de nada servem, e ainda causam ojeriza, repulsa e asco.
Observo à máxima: “Cada cabeça é um mundo.”
Vou além: cada cabeça é a possibilidades de múltiplos universos confusamente indecifráveis para o tolo que tenta compreender.
Se de mim há muitas perguntas para as quais não existem respostas, respostas ambíguas, frágeis e/ou duvidosas, imagine as supostas respostas que vêm de um outro, o qual foge de minhas delimitações de pessoa! Espantoso não é se aterrorizar com o comportamento alheio; absurdo é acreditar que há sensatez na ordem do humano.
Se um dia eu conseguir decodificar e codificar seus movimentos, paz não terá sentido. Por quê? Simples, sua irmã já não mais existirá, logo sua seu par oposto não mais suscitará sua existência. Tudo será paz. E como o extremamente comum é imperceptível, quem notará a ausência da violência?


Diógenes Pereira. 01/08/2011.



domingo, 3 de julho de 2011

Para que me serve? [POEMA]

Escrevo poemas sem poesia
Textos líricos poéticos só saem
de gente rara e difícil que usufruiu do Amor!
Não sei o que Amar
Já vive ilusões, cheguei supostamente perto:
sentimentos errantes, intensos, confusos, dolorosos
aqueles que acreditaram numa correspondência alimentada por Loucura!
Loucura, sim; essa eu tenho de sobra.
Não é à toa que consigo  ver beleza em tudo
Até na Dor e na Coisa
Fato: para que me servo o ato de escrever?
Você tem a resposta
porque a cada dia desconfio do meu próprio talento
esse que já é duvidoso pelas suas próprias curvas, cheiros, textura, sabor
Seria bom se nem morte nem vida existissem; apenas a inexistência...

Diógenes Pereira. SSA, Ba 03.07.2011


sábado, 2 de julho de 2011

Momentozinhos... [PENSAMENTOS]

EXTRAí DO MEU FACEBOOK ALGUMAS PALAVRINHAS QUE POSTE NOS ÚLTIMOS DIAS. COISAS DITAS DE FORMA ESPONTÂNEA, POR IMPULSO DE MOMENTO MESMO. LOGO, ESTÃO TODAS NA ÍNTEGRA, SEM ALTERAÇÃO ALGUMA, INCLUSIVE COM SUPOSTOS DESVIOS GRAMATICAIS EM FACE DA NORMA.



‎‎(1) Muitos têm a ilusão de que a consciência, a lógica e a racionalidade são sempre nossas aliadas. Engano! Assim como uma droga medicamentosa, elas, produto da mente buliçosa, pode agir contra ou a favor de nossas conveniências mais primárias e essenciais, como o amor e amizade, por exemplo. ‎(2) Somada à insegurança e ignorância, a mente tende a devanear e especular demais, ultrapassando os limites do fato e indo repousar nos rincões do absurdo! Resultado: mais medo, muitas vezes repulsa e retração em si. A fuga ou extermínio do que nos traz pavor é logo um instinto; um movimento suicida - diga-se de passagem! Então, o que fazer? Ponderar outra vez. (3) Dá o voto de credibilidade ao incrédulo. Sei o quanto é difícil crer em outro ser que não compartilha das mesmas paranoias que o nosso próprio ser, mas seria essa uma ótima oportunidade de promover o amor e, por extensão, o altruísmo genuíno. (4) Além de nos promover paz e forças para combater um dos nossos maiores inimigos mais que pessoas, unipessoais: nosso próprio ser, nossa mente muitas vezes doentia e algoz! Sorria, um bom riso faz bem não só para o espelho, e, sim, para tudo e todos. Bom dia para todos! hOJE, 02.07.11


‎‎‎(1) Tempo. Sempre aprendemos que há passado, presente e futuro. Contudo, o tempo de fato vivido é unicamente o agora. O passado e o futuro só ocorrem por meio da lembrança e da ficcionalização da mente, respectivamente. (2) Todos, por sua vez, possuem sua importância na construção das relações forjamos; seja elas entre nós (humanos e não humanos), seja entre tudo que nos circunda e atravessa, seja com aquilo que nos parece mais místico e confuso: nossa introspectiviade, o ser interno de cada humano. Até aí tudo bem. (3) O problema, contudo, é o seguinte: deixamos de vivenciar momentos únicos da vida ao darmos muita importância, além do necessário, ao passado (lembranças boas e ruins) ou ao projetarmos e visionarmos demasiadamente um futuro, que, por si só, é algo incerto. ‎(4) Consequência: acabamos por perder momentos em que poderíamos tangenciar felizes a tão desejada Felicidade. E esses instantes perdidos não possuem volta, pois cada situação é única, e não se repete jamais da exata forma, intensidade e substância.
(5) Já parou para pensar, portanto, que a vida é feita de momentos, circunstâncias, instantes? E que eles quase que sempre não detêm nossa merecida atenção, a não ser quando nos damos conta de que aquilo era bom já quando ele passou e estamos num momento triste (o da perda, o da cula, o do arrependimento)? Pois é. Ação já! Às vezes, pensar demais faz com que percamos o voo das 7! rs 01.07.11




Creio que o radicalismo e a precipitação não são bons. Em vez disso, pensar, refletir, esperar, ponderar e ter noção de dosagem é uma atitude sábia. Contudo, o problema é sair da teoria e cair na prática! Erros serão inevitáveis... Contudo, se não sair pra coleta, a abelha não terá mel. Façamos cada um aquilo que justamente atiça nosso medo, claro cada qual em seu tempo. O que vale é se movimentar...  30.06.11 


Você já conseguiu se imaginar numa prisão sem muros, onde não há nada físico que lhe impeça a fuga, mesmo você ansiando pela hora da tão desejada liberdade? Parece absurdo, não é? Não é! Isso é realidade de todos nós. Em cada um, há uma prisão dessa na qual somos cativos. São nossos medos, limitações, frustrações e outros traços que nos definham, dificultam ou impedem nossa transformação ou acesso à Felicidade. 30.06.11


Hoje acordei com uma leve nostalgia e tristeza... Faz mais de 2 semanas que meu Giallo sumiu! Provavelmente, o mataram como fizeram com Blanc. Sempre é assim, toda vez que meus gatos vão atrás de fêmeas, eles não duram, acabam sumindo. E fica só o vazio preenchido pela inquieta indignação: por que fazem essa maldade? Perdi um filho...  28.06.11


POR DIÓGENES PEREIRA.

domingo, 5 de junho de 2011

Como não se empolgar? [poema]



Acorda, Bonito! É dia de Sol.
E a vida está em toda parte.
Assim, o Domingo me despertou na manhã de hoje...
Sorrindo para mim, me exibindo
Que a noite outrora foi encantadora
E que o dia de agora está transbordando de vontades...
Não é por pouco que a Natureza do Coração
é encontrar Aquele que será
o problema desejado de suas insônias.
E o melhor, a Intuição já indica segura
onde está O Prometido e Desejado!
Ai, a Alma se apressa...
O Espírito é terra fértil,
e ainda improdutiva.
E como toda Fome tem pressa,
A busca com resultado animador por vida
é como a chuva do deserto:
rara, incerta, concentrada e abundante em instantes rápidos.
Urgência por calor! Não dá para se viver sozinho.
É o Outro a Lua que faz das marés Frutos do Mar.
O que fazer? Apenas se permitir aos caprichos
Do que pode vir a ser Amor...
As flores riem contentes...
Após noite de chuva, o dia é de Sol forte;
e muita vida está no ar, na terra, na água!
E que os insetos sejam mais do que estão:
irrompam os limites da racionalidade
e transgridam a normalidade.
Afinal, Loucura é mais que deleite,
é necessidade de quem não quer só passar e passar...



DEDICADO À PESSOA QUE MAIS ME IMPORTA NO MOMENTO. E COMO VIDA É FEITO DE MOMENTOS, CREIO NA INTUIÇÃO DO CORAÇÃO E ACREDITO QUE É MAIS QUE ESPECIAL; É A POSSIBILIDADE DE SONHOS SE TORNAREM VIDAS VIVIDAS. 

Diógenes Pereira. Salvador-Ba, 10h:51min, 05/06/2011.

domingo, 29 de maio de 2011

Ai se pudesse... [crônica]


Mal começa o primeiro dia útil, e a mente já traz o alerta: Muita coisa para ser feita! Sem demora, recorro à agenda improvisada, um pedaço de papel no qual anoto tudo que deverei, em tese, fazer durante cada dia de toda semana – isso se conseguir, né?
Pego o papel com certa indiferença e aguda ojeriza. Olho, penso, paro, revejo, analiso, e não sei por onde começar.  É tanta coisa que mente fica confusa. Ainda não consegui me recuperar do fim de semana ligeiro. Lembranças são vivas. Saudades e gostinho de quero muito mais...  Inevitável, o desejo ao ócio é latejante. Fantasia emerge efervescente. Sonhos delirantes tomam a cena. Ai por que não nasci rico, ou não ganho na Megasena, ou por que não me aparece um Amor muito bilionário, ou não invento algo porradão que me dê logo muito dinheiro? Por que trabalhar, Diabo? Quem inventou essa que o trabalho dignifica a pessoa? Essa vida é o oh!
Resultado, não me adapto, de jeito algum, à ideia de que hoje está prestes a começar outra semana de mais um mês de um ano que está voando. Detalhe, eu não fiz nada ainda! Desespero! Não! Indignado, continuo a me questionar: Por que as coisas têm que ser assim? Por que tudo não é mais fácil? Por que lazer é como sal na feijoada? E logo Realidade esfrega na cara: obrigações, deveres, responsabilidades.  Se quer luxo na vida, deve suar para desfrutar! Contas estão aí para serem pagas; e planos, metas, objetivo e viagens estão aguardando o bambá que sustentará o orçamento de cada mês. Resignação mostra a ponta do nariz.
Ai Deus! Muita coisa de uma vez só para uma pobre alma que só deseja praia, praia e mais praia... Qual o mal em querer ser Boemia em pessoa? Por que dinheiro não dá como mato de beira de estrada? Ou simpatia não garante o pão-e-circo? Mas não... Muita cobrança. Tudo em tempo contadíssimo, gritando urgência e perfeição. É pra ontem, tem que ser o melhor do ótimo! Chega! Assim, não há peão que aguente! Adoeço fácil de trabalhotide crônica terminal. O corpo amolece, o sorriso se desfaz e os olhos fitam o ar moribundos. A inércia me toma. E paraliso toda atividade mental e física que lembre trabalho! Zumbi.
Não demora e logo bate um repentino desespero: Meu Deus, preciso acordar para vida! Já tô quase na casa dos trintas e ainda moro com mãeinha! Cadê meu carro e minha tão sonhada liberdade em MEU LAR? E as viagens para Europa, Caribe, Austrália, O mundo? Não posso ser fraco, não devo desistir. Coragem, Criatura! Força, Homem! Idas e vindas... Nessa onda que fica o espírito: ora consciência forçada de querer sem-querer trabalhar, ora a insanidade de jogar tudo pra cima e ver no que vai dar. Merda!
A cabeça não dá sinais de que quer trabalhar, mesmo sabendo que Juiz não se faz Senhor por lei nem decreto da Boa vontade, mas, sim, por meio de muito trabalho e dor de cuca! Quero eu morrer com a pedra na mão de quem vive quebrando coco? Não mesmo! Faço mais um esforço, outro, outros. Nada! A coragem já se despediu faz tempo. A vontade é de não fazer nada e mandar tudo se lenhar. Simples assim: vá se... Pra quê tanto trabalho? Por que tanta obrigação? Aí o relógio arrota que já são horas. O Dia tá passando... Não tem jeito. Acorda, Alice de Cachoeira! Você não é uma Telles e Porto Alcântara; sua estirpe é a dos da Silva, dos Santos, de Jesus. Ralar é sua sina. Pegue já sua pedra e vá logo quebrar coco, viu. Tome rumo, Sem-fututo!
Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Desse jeito, cedo à rotina e aos deveres: trabalho. Isso ainda me resta um pouquinho. O consolo fica querendo me aliviar as juntas: tudo passa, até a dor, e mais depois vem a sombra. Não desista, continue firme e forte. Fácil falar; terrível é fazer disso prática em hodierno!
O dia chega ao fim finalmente. Com ele, vem a noite. E é aí que nada pode me segurar: delírios... Sonho mesmo. Devaneio legal em minhas loucuras. Sou quem quero e faço o que desejo. Na realidade da ficção, Rato é rei e Leão come capim sem reclamar!
Vem, Maria, se junta a Rodolfo e vamos fazer a nossa Côte d’Azur aqui mesmo no quintal... hehehehe
E outro dia se aproxima... (risos)


Por Diógenes Pereira. Salvador-ba, 29/05/2011.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

ESTÁ ACONTECENDO... [POEMA]


Esquisita paciência está aqui
Nem parece que daqui a pouco transgredirei a rotina
Não há suscitação de autorrecomendações
Nem prescrições do que seria indispensável
Não ocorrem expectativas
É uma sensação estranha
que não se confunde nem um pouco com paz
Também não é vazio
Sei que existe algo
Sei também que não é ruim
Tampouco não é maravilhoso
É estranhamente confortável
Até demais para a situação
Estou começando a achar que,
Num momento extremamente raro,


Não estou me sentindo incompleto,
Necessitando de algo ou alguém
Por que isso logo agora?
De que me alimentei
ou estou me satisfazendo?
Retroalimentação, antropofagismo?
Ou seria Diocídio?
Ou quem sabe morte e ressurreição?
Por hora, não me vem respostas; apenas alguns moribundos estranhamentos
Somados à única necessidade de compartilhar o incomum que se derrama de mim. O que me resta? Seguir...
Até mais logo. Quando? Não sei.
Hoje me parece o dia das incertezas
morosas...

DIÓ. SSA-BA, 21/04/2011.
Dio. 21/04/2011