quarta-feira, 18 de abril de 2012

Encontro [POEMA]



Dias iam para o Oeste mais depressa
que as nuvens de chuva
e os olhos não encontravam janelas
onde as aspirações pudessem ter pés
Até que o infortúnio trouxe o inesperado
sobre a cabeça da urgência de milagres
Destino assim quis e tudo se confluiu
entre as rimas de uma narrativa burlesca
O que parecia estranho e má sorte
era o arranjo inevitável tomando forma e sustentação
O contrato foi costurado
sobre a mesa do riso inicial
Simpatia foi o primeiro beijo
E como toda carícia exige mais proximidade
outros toques foram compartilhados apenas
pelo simples choque de afinidades transcendentais
e o acaso se fez inscrições legítimas
Euforia logo foi o álcool da vaidade do inexperiente
A moldura para seu quadro seria a tenra madeira
que expõe sua cor e cheiro por meio
do samba de nega
que sobe e desce as ladeiras sem deixar cair o balaio
E as montanhas que há nele
logo encontraram o mar que existe nela
Que limpem o terreiro
pois as galinhas vão avoar

Dedicado...

Diógenes Pereira. SSA-BA, 18/04/2012

terça-feira, 10 de abril de 2012

Seria? [POEMA]

Seria mais uma simples sensação
ou os dias estão escapulindo
tão rápidos na frente da Tv ou no infortúnio do trânsito?

Mal durmo, já é outro dia, já chega a noite
e outra vez insônia, finda mais uma semana
e já se foram mais três meses dum ano 
que parece mais um fim de semana!

E me pergunto quantos anos já tenho
e dúvida chega: serão mesmo 28 anos já? Isso tudo?
tem alguma coisa de errado...
Não, não tem, documentos confirmam.

É isso aí mesmo: 
a ansiedade e a ânsia pelo novo, pelo diferente, 
pelo ganhar e possuir mais e mais, pelo sucesso e popularidade, 
pelo par perfeito que nunca vem
mais o medo do desconhecido, desafiador, 
diferente, mais forte e capaz
fazem com que esqueçamos do agora  
plenamente vivo, múltiplo, rico -  
onde muita coisa é possível (até o impossível)
na contradição deliciosa do desejo em desejado -  
em favor dum passado falido,
apenas romantizado, construído sobre lembranças maquiadas
e dum futuro que já nasce escorado em ilusão abortada
porque não é compatível com o  trincar do espelho 
face as imagens permitidas.

Diógenes Pereira. Salvador, Bahia, 10/04/2012.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

NÃO ESPERAVA MESMO! [RELATO]



Com certeza, minha maior vitória do ano de 2011 foi ter conseguido passar no processo seletivo do Programa de Pós-Graduação (Mestrado em Literatura e Cultura) do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia, um dos mais respeitados do Brasil. O curioso é que esse “presente antecipado de natal” quase não me seria entregue! 
Entrei na universidade ainda muito cedo, com apenas 18 anos, logo após ter concluído o ensino médio em rede pública; e saí igualmente precoce, com 23 anos. Era muito imaturo, arrogante, soberbo, intransigente, insubordinado, indisciplinado, inconsequente, curioso, ousado, extravagante e excêntrico.  Estudava ao meu ritmo Caetano Veloso mixado a Raul Seixas reestilizado, sem levar caderno, livro algum nem tomar nota de nada.  Ia somente com bermuda, chinelos e camiseta. Quem me via ir à UFBA pensava logo que eu estava indo à praia ou a outro lugar qualquer, menos ir à universidade estudar. Lá, apenas lia alguns livros e textos indicados para as aulas em casa e só estudava para as avaliações cerca de 2 dias antes.
Sem saber ao certo o que queria, nunca esquentei muito a cabeça. Dos quatro anos de graduação, passei dois voltados para linguística e os últimos dois para teoria literária. Por que a mudança? Simples: a linguística a mim era muito facilmente assimilada. Chegou um tempo em que me senti exaurido por ela. Sentia prazer em estudá-la, sim, mas apenas como lazer. A teoria literária, em outro passo, excitava e fomentava minha ansiedade criativa, suscitando minha forma de pensar questionadora e insurgente – amava as interseções possíveis com outras áreas do conhecimento, principalmente a psicologia, sociologia, antropologia, história, geografia (que adoro, lendo livros como se fossem gibi), física, astronomia, biologia, genética, filosofia por meio das análises dos discursos literários de variados gêneros e estilos.
Sem muito esforço, conseguia dar conta das obrigações acadêmicas e ainda tinha tempo para militar desleixadamente país a fora pelo movimento estudantil (Diretório Acadêmico, como Diretor de Assuntos Institucionais – que eu nem sabia o que era na época – e na Executiva Nacional dos Estudantes de Letras (EXNEL), como representante do Estado da Bahia no movimento nacional – nome aquele do cargo que não me recordo mais. Só sei que viajei muito, conhecendo lugares e gente! – e ainda obtinha ótimas notas mais a conquistava da simpatia, respeito e admiração de muitos professores. Já os colegas, creio que a maioria me odiava devido a meu perfil e postura mais a inveja e despeito da parte deles. Sei que também tive minha parcela de culpa. Fazia questão de incomodar, chocar, bater de frente. Outros tantos, mais acessíveis, compreensíveis e tolerantes, riam gostosamente... Simplesmente amor e ódio, não existia meio termo em um ambiente que me tinha como corpo estranho – eu parecia mais uma aluno de engenharia ou de educação física!
Passei quatro anos, após minha formação acadêmica, fora totalmente do universo acadêmico. Tentei de tudo um pouco. Fui pauteiro no setor jornalístico duma televisão, ensinei geografia, inglês, literatura, gramática e redação em alguns cursinhos pré-vestibular e várias escolas privadas do interior e capital, além das redes públicas estadual e municipal. Fui, por um período curto de tempo, até aluno-soldado da Polícia Militar (concursado mesmo), mas logo vi que não era a minha! Estudei para outros tantos concursos públicos sem êxito. Vaguei. Pairei. Vadiei. Entrei em depressão. Altos e baixos eram minha vida. Sem foco, sempre estava insatisfeito, infeliz.  E o Mestrado era apenas um sonho estranho, caro e incerto para mim. Um sonho, uma ficção mesmo! Pensava nele como uma possibilidade – isso mesmo, apenas como mais uma possibilidade (remota e incerta), e não uma prioridade (ou realidade). – Mas isso começou a mudar nos 4 últimos meses deste ano (2011), precisamente!
Devido a vários acontecimentos em minha vida profissional, financeira e até relacional (amigos), a frustração, a decepção, a dor e o autoisolamento me forçaram a amadurecer. Com as experiências adquiridas, comecei a refletir acerca de minha vida. Quem fui, quem sou? Como estou? No que quero estar e ser? O que fiz, faço e farei? O que sei fazer? No que sou bom? O que quero? Que rumo dar à Vida? Pensar acerca daquilo que não me agradava vinha fácil. O problema era saber o que me satisfaria além dos desejos e sonhos fantásticos, aqui, na realidade vivida em gerúndio mesmo! Foi aí, depois de bater muito a cabeça que, inevitavelmente, percebi que meu maior feito é lidar com o discurso. Não havia outra: meu caminho era de fato a carreira acadêmica e, sobretudo, literária.
Impulsionado por alguns amigos, principalmente Paulo Pereira, Daniele Behrmann e Mariel Carlos, e num momento de forte isolamento e decepção comigo mesmo e boa parte do mundo, fui revirado por sentimentos potentes – assim mesmo, no calor da hora. – Vou tentar o mestrado deste ano! Simplesmente tempestivo e passional. E o tempo conspirava contra, pois só restavam apenas 2 dias para o fim das inscrições.
O que fazer mediante pouquíssimo tempo? Pressa! Tinha que correr o mais rápido, muito além de meu habitual tempo de atendente de bar na Bahia. Reflexo: recorri à Ângela outra vez, uma grande e inteligentíssima amiga do tempo da graduação. Tomando como base o modelo de anteprojeto dela mais as idéias que eu havia esboçado, me tranquei no quarto e comecei a riscar sozinho um texto na frente da tela chata do notebook. Só pedi a Ari que o lesse, mas nada demais. Ele só fez dizer que estava legal, além de pontuar duas coisinhas da ordem (digamos) estético-discursiva. Contribuiu, sim, não nego. Contudo, não foi nem tive orientação alguma de professor ou qualquer outra alma, aquela que poderia me guiar a fim de escrever o anteprojeto decente. Simplesmente, fiz tudo na base do susto, improviso mesmo e solitário.
Já exaurido, estava convicto de que não tinha feito um bom texto, mas era o único que tinha. Era ele mesmo. Me inscrevi no processo seletivo do Mestrado no último dia. E saí de lá muito feliz em só ter conseguido realizar minha inscrição!
Só depois da inscrição, com muita cara de pau, enviei cópia do anteprojeto para os meus possíveis 4 professores orientadores, pedindo que o avaliasse e me aceitassem como possível orientando. Pra minha primeira surpresa, submetido o suposto precário texto a alguns amigos da academia e a quatro renomados professores da UFBA, veio a animadora notícia: seu anteprojeto está bom! Veja você mesmo cópia das mensagens de email desses professores: 
“Diógenes,  estou meio doente e acabei esquecendo de lhe responder. Li o projeto e aceito, sim, orientá-lo. Com você passando, conversamos melhor e podemos azeitá-lo ainda mais, dar umas mexidas para deixá-lo ainda mais preciso. Mas aceito, sim.  Abraço [Sandro Ornellas]”; 


 “Oi Diógenes, acho seu projeto muito bom, mas creio que o melhor nome é mesmo o de Sandro, que é de literatura portuguesa, caso ele não aceite, voltaremos a conversar. Boa sorte, Nancy [Rita Ferreira Vieira]”; 


 “Diógenes, além de muitas tarefas, formalmente não tenho condições de  aceitar mais aluno na pós-graduação. Já ultrapassei o número previsto pelo Programa e pela CAPES, e isso é complicado, pra mim e para o próprio programa. Abri somente uma vaga e assinarei apenas um projeto, que é de um estudante que está sob minha orientação como bolsista PIBIC, já tem aproximadamente 4 anos que está no grupo de pesquisa. Gostaria muito de poder atendê-lo e fico contente pelo seu apreço e carinho. É o que me dá alegria, saber que um estudante reconhece o meu trabalho , mas no momento estou impossibilitada de recebê-lo como orientando. Desejo boa sorte para você e sucesso na sua vida acadêmica. Evelina [Hoisel]”; 


 e “ Olá, Diógenes, estou bem lembrada de você e de termos conversado sobre uma possível orientação... Não tinha respondido seu email anterior por absoluta falta de tempo. Estou com compromissos urgentes de trabalho, apesar de afastada da UFBA neste semestre. Iniciei a leitura do seu projeto mas não concluí. Entretanto, meu nome não deve constar, pois você se inscreveu na linha Documentos da memória e eu faço parte de outra, Estudos de Teorias e representações. Os demais nomes de professores que você indicou estão corretos, fazem parte da linha em que inscreveu seu projeto. Desejo boa sorte na seleção. Abraços, Lígia [Telles]”. 
Meus Deus! Respirei mais forte. Agora eu tinha ganhado mais vontade de seguir em frente. E continuei, sim!.
Apenas com o inglês de cursinho, sem fluência alguma e com baixo vocabulário, teria que me submeter à segunda etapa do processo seletivo: a prova de língua estrangeira, pois a primeira etapa (avaliação do anteprojeto pela comissão eu já havia passado). O medo era inevitável. Então, com uma prova de uma seleção anterior em mãos, comecei a tradução desse texto. Fiz isso apenas uma vez e me joguei na prova.
No dia, com muito calor e incomodado com o “conforto” da sala onde estávamos, fui traduzindo todo o texto palavra por palavra, utilizando apenas um minidicionário Michaelis. Foram cerca de duas páginas!  Depois o reescrevi em português. Trabalho que me custou 2 das 4 horas da prova. Com apenas 1 hora, mente cansadíssima, passei a interpretar o texto já transcrito para minha língua materna e, só assim, responder às quatro questões de prova sem fazer rascunho algum nem revisão; direto para folha de respostas!
Ainda faltando 1 hora para o término da prova, saí com a sensação de que tinha feito um exame razoável. A insegurança fincou pé em mim, mas não por muito tempo! Poucos dias depois, eu já estava rindo, muito eufórico: havia passado nessa etapa com nota 8! O mais engraçado era que amigos e “amigos” que estavam estudando inglês para aquela prova há meses ou eram fluentes no idioma tiraram nota inferior ou igual a minha. Ironia? Incompetência? Ou inteligência?
Estava a caminho da terceira etapa: a temível prova específica. A coisa agora estava muito séria. Um suposto ato de impulso já estava ganhando dimensões mais concreta e comprometedora... Seria sorte, destino, acaso? Ou consequência de atos, ações, atitudes, ousadia?
Restando pouco tempo para prova específica, comecei a pedir os livros e textos emprestados a amigos. Consegui alguns, outros eu conquistei na internet mesmo. Dos sete indicados no edital de prova, apenas 2 eu não consegui. O jeito foi estudar os “faltosos” por meio de resenhas. Em apenas 6 dias, li todos os densos livros de teoria literária e correlatos. Foi uma verdadeira maratona para a mente, pois eu já não lia esse tipo de literatura há quatro anos! A cabeça já estava além de seu limite, mas continuei. Consegui dar conta da leitura: Michel Foucault, Stuart Hall, Beatriz Sarlo, Tadeu Tomaz da Silva, Eneida Maria de Souza, Georges Yúdice e Paul Zumthor. Claro, não foi uma leitura como deveria ter sido: detida, cautelosa, analítica, investigativa, comparativa, acompanhada; enfim, mais eficaz, eficiente e produtiva. Li tudo como pude, na pressa mesmo. Minha meta era ler tudo. E a cumpri!
Chegado o dia da temível prova, fui inflado de segurança louca. Em uma hora de consulta permitida, esquematizei tudo que daria base a minhas respostas. Sei que das 2 questões de prova, escrevi bastante: 4 faces do papel pautado na primeira questão e 3 faces do pautado na segunda. Fui articulando todos os teóricos da biografia indicada. Contudo, algo me dizia que eu não estava indo bem, que não estava escrevendo como poderia e deveria. Não estava explorando o potencial que acreditava portar. Percebia que eu estava sendo tacanho, preguiçoso, lento, medíocre. Não estava me esforçando como poderia e deveria... Olhei em volta, vi todos compenetrados, e eu em minha modorrenta atitude. Ah, cansei! Não aguentava mais aquilo tudo! Pirei e saí da sala com uma sensação de que não respondi adequadamente às questões, principalmente a segunda, frente à qual tive que fazer maior esforço criativo, pois já não havia mais ideias em minha mente! Fiquei instantes olhando o ar, os lados, tentando buscar idéias. Nada. Não me desesperei. Respirei fundo e fui catando e arrancando cada palavra com muita dificuldade. Entreguei a prova como estava, sem uma revisão competente. E saí.
Já do lado de fora, batendo papo com amigos e conhecidos, fui ficando cada vez mais triste e vendo a chance de entrar no mestrado se afastar. Passando o tempo, era corroído por uma questão: e se eu não passar, o que vou fazer de minha vida? No que vou focar? A mente não respondia. Era passar ou passar. Não ocorria alternativa. Mais triste...
Entregue a Deus. Ansiedade... Pressão de amigos confiantes em meu sucesso contrapondo com minha insegurança, a qual, por sua vez, rivalizava com a esperança que é muito viva em mim. Sabia que tinha chances reais tanto de passar como de perder devido o meu suposto mal desempenho na prova específica – assim eu teimava acreditar. – Imaginava que se eu passasse, passaria com a nota mínima: 7! Tinha noção de que não tinha me preparado como deveria, não me dei tempo, não me explorei ao máximo. Estava em desvantagem em relação aos demais candidatos.
Outra vez tudo parecia se repetir... Situação parecida já havia acontecido comigo quando tentei o vestibular da UFBA há mais de 8 anos, em final de 2002 (1ª etapa) e início de 2003 (2ª etapa) – guardada as devidas proporções. – Não parava de pensar naquela ocasião. Naquela época, eu também sofria pressão de amigos que acreditavam em meu potencial. Igualmente, minha autocrítica gritava para mim que eu não tive tempo hábil para estudar. Eu estava em desvantagem. Iria concorrer com alunos de escolas privadas conceituadas. Que chances eu teria? Ainda estava terminando o terceiro ano do ensino médio de toda uma vida estudando em escola pública. Só havia conseguido uma bolsa para estudar num bom cursinho pré-vestibular, por cerca de quatro meses, um intensivo (curso DNA, nos Aflitos), mais outra bolsa para estudar num ótimo curso de gramática, literatura e redação (curso Análise, no Iguatemi) aos fins de semanas. Benditos tenham sido os professores Jorge Portugal e Lene e Paula Barbosa, que acreditaram em mim e me concederam as bolsas, respectivamente.
Segui estudando como pude. Curioso e obstinado, tinha muitas deficiências herdadas de uma vida educacional em escolas públicas precárias. Não queria nem saber. Tinha que entrar numa universidade pública! Contradição. Desacreditado por mim mesmo, mas mantido na causa pela esperança que em mim sempre foi forte! Conflito. Ora desejos e sonhos, ora desespero e medo, ora pseudoindiferença. E quando eu estava fazendo a prova da UEFS, soube do inacreditável: passei na UFBA! Raspei a cabeça, escrevi o nome UFBA na nuca. Era só felicidade. – outro vez conto com mais detalhes a trajetória até a universidade. Voltando para o caso Mestrado, situação parecida me  ocorreu. E a grandiosa surpresa veio certeira!
Letícia, então amiga de trabalho e colega de prova dessa seleção de mestrado, me ligou e deu a notícia que me paralisou: Diógenes, você passou. Tirou nota 9,5 na prova específica e 9,00 no anteprojeto. Simplesmente, fiquei estarrecido! Como assim? Tinha feito tudo em cima da hora, estava tentando com a cara e a coragem. Estava desacostumado a ler e pensar sobre textos tão densos e complexos como aqueles cobrados para a prova. Não tive tempo hábil para a preparação coerente, e passei com essas notas! O que houve? Eu me super-subestimei? Sim. Não foi um processo difícil como eu imaginava ser? Foi, sim, difícil. Eu simplesmente não tinha notado a força que tenho. Afinal, seria sorte um anteprojeto de Mestrado, feito às pressas (em apenas 2 dias), sem revisão alguma de professores ou outra pessoa qualquer, obter pontuação nove? Ou seria fruto do acaso uma prova discursiva ter um resultado de nove e meio - na qual, é esperado pela banca examinadora, no mínimo, razoável grau de complexidade e habilidade de interpretação e correlação coesa e coerente entre as informações, criatividade e sapiência; coisa determinante a fim de montar um discurso eficiente por parte do candidato  (detalhe, apenas li - repito, li - a referência indica para o exame em corridos seis dias, sem tempo nem condições físico-psicológicas para análises mais maduras)?
Sem apadrinhamento algum ou qualquer outro instrumento facilitador, fui merecedor dessa vitória, sim. Mesmo não explorando meu real potencial, me saí muito bem. Ninguém pode negar isso. É minha vez de rir e sentir orgulho do sujeitinho que estou em cada momento! E me alegrar aos saltos ao ouvir uma voz sincera de uma amiga doutoranda: O bom filho A casa torna! [Pryscila Campos].
O sabor da vitória e o prazer da conquista demoraram a perder fôlego. De início, não tinha real noção do feito! Aos poucos foi caindo a ficha. Fui aprovado em sexto entre 34 aprovados na seleção de mestrado para literatura. Pouco? Não mesmo! Não esqueça que eu já estava há quatro anos afastado da academia, escrevi o anteprojeto em 2 dias que antecediam o fim das inscrições para o processo seletivo, fiz a prova de língua estrangeira com coragem e raça, apenas li os textos e livros indicados como referências para prova em corridos 6 dias. Sorte? Não. Obstinação. Esperança. Ousadia. Mérito mais que merecido. Era a consagração de inteligência? Ainda não. Era, antes, o prenúncio de uma nova era, outra chance para mim e o assinalar de um grande potencial como pessoa e profissional. Não tinha como evitar, logo o reconhecimento veio até da boca daqueles que não têm ou tinha simpatia pela minha pessoa. E a paz que o reconhecimento cede ao vencedor fez de mim uma pessoa amada pelo espelho!
Após a minha vitória, não recebi apenas o reconhecimento de quem tem simpatia, competência e autoridade para tal. Até os opositores tiveram que dar a cara a tapa mediante o fato. Nesse caso, "contra fatos não há contra-argumentação". E lembrar que até gente próxima desconfiava de minha pujança, desacreditando de meu potencial cognitivo,  tendo a certeza indubitável que o sujeito que sou não passava de um falador embebido de sua arrogância rasteira e de sua vaidade vazia. Essa gente teve a ridícula paciência de esperar; esperar por uma corroboração do que achava ser minha natureza: o fracasso dos fracos, aqueles que merecem a pseudocompaixão dos déspotas, imperadores do castelo forjado pela sua irredutível superioridade enganadora e doentia. Frustração para eles! O destino para essa gente foi um: refazer a encenação de Tomé, vendo para crer e se curvar mediante a certeza da vitória ao vitorioso por mérito e justiça!
Veja agora mensagens de gente valiosa para mim, professores da UFBA e uma amiga inspiradora, respectivamente:

 “Tudo de bom nesta nova etapa de sua carreira. Abços Evelina [Hoisel]".

 "Diógenes, fico muito feliz por vc ter sido aprovado e encontrado o orientador certo para seus estudos. Parabéns pelas ótimas notas. Parabéns e boa sorte nesse caminho novo. Obrigada pelas palavras, Nancy".

 "Olá, Diógenes! Parabéns pela aprovação! É sempre uma alegria ver o êxito dos antigos alunos. Desejo a você boa sorte nesta nova etapa. Agradeço também sua atenção em me comunicar. Abraços, Lígia [Teles]".

"Diógenes, meus parabéns para começo de conversa. Suas notas foram muito boas. Podemos marcar na quarta-feira pela tarde, por volta das 15:30? Darei prova à noite e será o último dia de aula minha. Lá conversamos sobre tudo. Abraço [Sandro Ornellas]".

E “Diógenes, vc realmente está de parabéns. E não pense sua conquista foi pequena, pois não foi. E mesmo que tivesse sido pequena, o mais importante é que ela é SUA, e de mais ninguém. Como eu lhe disse por telefone, vc é muito inteligente e preparado; só precisava de foco e, pelos resultados obtidos, vc agora encontrou. No mais, é tentar fazer um bom mestrado e já seguir para o doutorado. (...) Bjs [Ângela Mascarenhas]”.

             Não poderia deixar de salientar minha FELICIDADE! Afinal de contas, a Universidade Federal da BAHIA é o maior centro de estudo, pesquisa, ensino e extensão do Norte e Nordeste. É um prazer enorme fazer parte do quadro discente do Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura do Instituto de Letras. Agradeço sinceramente às pessoas que acreditaram em mim e me fomentaram esse empreendimento epicamente torto.
            Passo adiante, não posso deixar de relembrar... Bati biela, dei murro em ponta de faca! Circulei, tentei coisas bem diversas e inusitadas, e simplesmente não me encontrava nem achava. Acreditei ser falta de sorte, incompetência, depressão e até ebó. As coisas não fluíam. A idade ia avançando, se aproximando dos trinta, e o desespero chegava algoz: o que fiz, o que estou fazendo e  o que farei de minha vida? O que fazer? Para onde ir? No que focar? No que sou bom? De que gosto? Resposta não dava as caras; imagina respostas! Vinham apenas desespero, resignação, esperança... 
            Finalmente, o que seria a desgraça iminente foi ironicamente a graça. O vazio do nada me conduziria  à plenitude da decisão certa na intensidade justa e no instante preciso. Tudo conspirou de tal forma (a mais perfeita possível dentro do absurdo que se desenrolava no contemporâneo dos fatos) que fui sendo levado, por causa e consequências de decisões rápidas apoiadas por atitudes urgentes, a esse presente. Hoje me parece engraçado e estranho como tudo se deu. Foi tudo perfeitamente arranjado na sequência harmoniosa dos fatos. E sorrio, rio  e gargalho feliz sobre os escombros de lágrimas choradas...
              Agora, com visão distanciada daquele que olha para o passado como um historiadorpaleontólogo olha para os fósseis e ruínas - não mais aquele parcial que vive o problema intensamente no presente passional -, posso vislumbrar o quanto maravilhoso foi esse acontecimento, que me parece agora em natureza rápida, mas que sei que não foi exatamente assim.  
           Esquisito é, neste instante, como tudo parece corroborar para a existência do Destino - Deus, Natureza, Acaso ou Outra Coisa Qualquer? Vai saber! - Destino, aquele que me impôs (ou seria me ofertou?) esse agora! Mas tenho rígida lembrança de que tudo foi escrito por mim (de dentro pra fora e do externo para o interior) aliada à dependência que todo ser tem de outros entes desse Universo - será mesmo? Até onde vão a liberdade e o livrearbítrio? Dúvidas mais rijas hoje em dia!
            A lição que fica: agora tenho foco e noção do que sou capaz - perspectiva ofuscada pelo autodeslumbramento concedida pela embriaguês do sucesso! - Vamos, Diógenes, fomentar as qualidades produtivas que existem em você e ganhar o mundo não apenas no seu mundo! É momento de desejar, sonhar, planejar e ousar mais, muito mais, porque não existem limites para uma mente que deseja, anseia, aspira; até a Morte não é um fim, antes, é apenas um outro se inscrever. Desta vez, a vida está me levando a outro caminho... E eu não vou desperdiçar essa nova chance que busquei através da Vontade Superior: JEOVÁ!


Diógenes Pereira, Ssa-Ba, 07/12/2011. 
Última alteração em 15/04/2012.

sexta-feira, 23 de março de 2012

COMO É LINDO [POEMA]

NÃO É PRECISO DE MUITA COISA
COMO NUM SUPOSTO ACASO CONSTRUÍDO
O ENCONTRO É FORJADO
OS OLHARES MAIS QUE SE ABRAÇAM
RAPIDAMENTE ESCANEIAM O QUE SE
DESEJA POSSUIR NA PERMISSÃO LIBERTINA
POSSÍVEL APENAS EM COMUNIDADE DE DOIS
PALAVRAS BUSCAM O BÁSICO
NUM JOGO SAPIENTE E CRUEL DE SONDAGEM 
SEDUÇÃO CONQUISTA DOMINAÇÃO
DEPOIS ELAS SE TRAEM 
E ABANDONAM O SENTIDO DE SER E ESTAR
ENTRA A VEZ   DO TOQUE
SELVAGEM A VONTADE DO PRAZER
VENCE QUALQUER RESISTÊNCIA
DEDOS COM SUA MÃO
ESTABELECEM TRATO COM A BOCA
A FIM DE TER UM NO OUTRO
O GOZO É COMPARTILHADO
NUM EGOÍSMO ROMANTIZADO
E A VOZ ASSUME OUTRAS FORMAS E CONSISTÊNCIAS
BOBAGENS SE SOLTAM AOS BOCADOS
SORRISOS RISOS GARGALHADAS SÓ EXIBEM
O QUANTO ABESTALHADOS ESTÃO POR MOTIVOS TRIVIAIS BANAIS
E IGUALMENTE FABULOSOS DE SI
LIGADOS À VAIDADE SOBERBA DA CRENÇA NA CORRESPONDÊNCIA
O ENCANTO JÁ ESTABELECEU SEU PODERIO DÉSPOTA
A IDEIA DE POSSE JÁ ULTRAPASSA OS LIMITES FÍSICOS
E OS SONHOS SÃO CATIVOS DE VERDADE INDUBITÁVEL 
DO AGORA MARAVILHOSAMENTE QUIMÉRICO
SENHOR DE PÁTRIA REBELDE
AS POSIÇÕES TENTAM SE AJUSTAR À NOVA DINÂMICA
CADA UM FAZ DE SI A MÃE O PAI O IRMÃO O CÃO
O CUIDADO É A GARANTIA ILUSÓRIA 
DE QUE O DEVIR NÃO LEVARÁ EMBORA A FANTASIA
QUE  ENTORPECE E DESLOCA A REALIDADE
DOS CONFLITOS DOS DESIGUAIS
NÃO TARDA
SIM CEDE AO NÃO
GUERRAS SÃO IRROMPIDAS 
SEM QUE SE TENHA VENCEDOR
E RESISTÊNCIA SE FIXA SALGADA E AZEDA
DISTÂNCIA
AFASTAMENTO
TEATRAIS INCURSÕES ATAQUES
FALSA INDIFERENÇA
MEMÓRIAS IRRECUPERÁVEIS 
SAUDADE
SAUDADES
E PAZ FALECE RESSECADA
ESPÍRITO  ALMA CORPO RECLAMAM
INEVITÁVEL É A CONFRONTAÇÃO
É HORA DE COLOCAR AS MÁGOAS 
PARA ESBOÇAR FALAS ROUCAS
 E CERTAS DE SUA RAZÃO ARROGANTE 
POR QUE  ISSO LOGO COMIGO
COMO VOCÊ PÔDE
POR QUE CHEGAMOS A TANTO
OLHE PRA VOCÊ E ME VEJA
O QUE SOMOS
NO QUE ESTAMOS
PARE PORQUE NÃO GUENTO MAIS
NÃO SEJA COVARDE EM DEMASIADO
SE DÊ A CHANCE DAQUELES QUE 
SE OUSAM RESPIRAR
ME DEIXE MORAR ONDE POUCOS
JÁ TIVERAM A SATISFAÇÃO DE APENAS VISITAR
CABEÇA SE RECOLHE JUNTO AO PEITO
LÁGRIMAS DESPENCAM AMENAS
NO ÚLTIMO ADEUS
ENTÃO OLHAR SE ENCONTRA MAIS UMA VEZ
E PRANTO TÍMIDO
CONTIDO NO SEU ORGULHO
MOSTRA SUA FACE

O PRÊMIO DOS QUE CULTIVAM A ESPERANÇA
É PRESENCIAR  VIVENCIAR A BELEZA DO HOMEM QUE CHORA
E ESTENDE A MÃO EM CUMPLICIDADE NOBRE


Por Dió
Ssa-Ba, 23 de março de 2012.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os excessos e as faltas! [Artigo de opinião]




Esta greve da PM na Bahia levanta alguns pontos ironico e sarcasticamente engraçados de tão absurdos e perceptivos! E, pra começo de conversa, discordo da postura da Justiça, a qual nega o direito de greve a Militares.  A PM tem, sim, o direito de greve, assim como toda e qualquer categoria trabalhadora.  Pode e deve reclamar por melhorias. É causa justa e legítima!

Todos nós sabemos que patrões, empregadores e o Estado sempre ou quase sempre não atendem às reivindicações de seus funcionários. O canal de discussões e negociações acaba se fragilizando, perdendo sua validade, o que faz irromper a inevitável greve, a qual é a última arma que o trabalhador dispõe para tentar alcançar seus direitos reivindicados. Logo, não vejo explicação plausível (nem muito menos justificativa) para se cercear o direito de greve a Militares, como os PMs.

É sabido de todos que há muitos governantes incompetentes, corruptos e insensíveis, os quais operam pelo interesse próprio ou daqueles que controlam o poder econômico, os ricos e influentes.  Em paralelo, sempre há o discurso de que o orçamento está apertado, que há responsabilidade fiscal a se cumprir, que existem outras prioridades quando o que se está em jogo é o aumento de gratificações, salário e a concessão de novas vantagens ao funcionalismo público.

Por outro lado, nossos políticos não pensam nem agem dessa forma tão "racional", "coerente", "responsável", "madura", "sensata" e "lógica" quando se dão aumento de salário ou acrescentam mais uma vantagem para si (entre tantas que já dispõem). Não há dúvidas de que há uma realidade de opressão e exploração do trabalhador tanto por parte da iniciativa privada quanto da pública!

Ato contínuo, em qualquer greve deve prevalecer o bom senso. Deve haver limites. Tem de ter o autocontrole, autocrítica e a perspectiva de começo, duração e fim do movimento insurgente, avaliando as causas e, principalmente, as consequências do levante, fazendo do movimento uma causa organizadamente justa.

Caso contrário, ocorrerá uma luta entre as partes, o interminável jogo de desgaste pra ver quem cansa primeiro, desiste e cede. E, enquanto isso não acontece, ambos os lados mantêm sua posição turrona, irredutível, teimosa, emperrando as negociações numa brutal guerras de braços. 

O desacordo entre PM e Governo do Estado da Bahia já está passado muito além do tolerável! Inevitável é questionarmos por que esta greve justamente no auge do verão baiano, nos bigodes do carnaval? Não creio que tenha sido mera coincidência. Houve, sim, uma vontade (ou má vontade, má fé mesmo) com a empresa de potencializar as possíveis perdas que a população teria caso não usufruísse dos serviços dos policiais, pegando todos de surpresa com o desígnio de obter, com mais rapidez, barganha e eficiência, o objeto de desejo dos policiais em detrimento do bem-estar de muitos!

A PM tenta supervalorizar sua importância. Quer mostrar para todos, a todo momento e de diversas formas (principalmente por meio da força e violência), que somos dependentes de seus serviços. E pior, alguns vândalos, que estão na corporação infelizmente (e não são poucos), trazem o terror ao cometerem crimes contra aquela que eles deveriam proteger: a sociedade.  Porque não me diga que homens encapuzados com armas em punho atravessando ônibus no meio de vias importantes da cidade são ladrões. Creio que sejam, sim, insurgentes da PM mal-intencionados, que querem obter seus interesses a todo o custo, passando por cima de tudo e de todos, de forma inconsequente, irracional e bestial!

A PM não pode se valer de sua importância como agente de manutenção da ordem social, nem muito menos ameaçar a maior festa popular do mundo, o carnaval (festividade que garante a alegria, a fantasia, a felicidade e o sustento de milhões), nem fazer de reféns os cidadãos para concretizar seus interesses em detrimento da sociedade civil! Quantos não perderam, estão perdendo e ainda poderão perder mais em decorrência dessa greve morosamente danosa?

E cadê o Governo do Estado da Bahia, um suposto governo de todos nós, que não  age de pronto a fim de acabar de uma vez com esse problema que tanto macula a imagem da Bahia e barbariza com a vida dos que aqui estão ou pretendem estar? Por que o Governado não para de atacar os grevistas, usando da justiça e da repressão militar - olha aí a grande ironia - para simplesmente sufocar o levante? Quanto mais lerdo é o Governo, mais a greve ganha força, se alonga, mais prejuízos são somados à vida daqueles que nada têm a ver diretamente com essa greve. E a população, hostilizada, sacrificada e barrada de seu direito de ir, vir e permanecer em paz, cria ódio, rancor e repúdio tanto em face do Governo quanto da PM em meio a esta palhaçada toda sem uma gotinha de graça.

Agora eu pergunto: é essa uma forma inteligente de a PM lutar pelos seus direitos?  É essa uma forma correta de o Governo lidar com os interesses de pais e mães de família que garantem a segurança de outros tantos pais, mães e filhos? O que estamos presenciando a cada dia é o perfil violento de uma Polícia Militarizada e seu abuso do direito de greve somado à estupidez e incapacidade do Estado. É, sem dúvidas, um atentado, um terrorismo de Estado contra o próprio Estado (melhor, uma parte significativa dele) e contra a sociedade civil.

 Se a PM considera justa sua causa – e creio que seja – é mais sensato ela ir e vir por outros meios a fim de trazer a sociedade civil para o seu lado, a qual, junto com a PM, pode e deve pressionar  o Estado. E se o Governo deseja mostrar sua força, seu poder e fazer valer sua postura de autoridade, deve agir com mais sensibilidade, buscando entender os insurgentes, equilibrar e equacionar os interesses conflituosos e conquistar a simpatia e o apoio dos civis por meio de uma atuação branda, inteligente e urgente, finalizando com o problema e satisfazendo a todos. Tarefa difícil, sim, mas não impossível!

 Por fim, creio que os culpados por este mal-estar todo são, igualmente, os policiais, o Governo da Bahia e a sociedade civil. Os primeiros pelos motivos já citados acima. O Governo do Estado por se mostrar insensível à causa, não cedendo aos policiais o que lhe é por direito, agindo com lentidão para dar fim a esse ácido conflito e deixando de cumprir com uma de suas obrigações: garantir a segurança  e a ordem pública.

E a sociedade civil por se manter passiva em face disso tudo. Somos nós, pois,  os grandes interessados com fim dessa grave. Por que, então, não estamos indo às ruas, recorrendo à imprensa e à Justiça, questionando a postura tanto do Governo quanto a da PM, exigindo uma solução justa, eficaz e imediata disso tudo?

Somos nós mesmos vítimas do algoz que nasce a partir de nossa inoperância como cidadãos ativos! Chega de ficar em casa com medo, pavor, degustando do terror! Basta de ver terceiros decidirem arbitrariamente pelas nossas vidas! Vamos parar com essa cultura da paz de galinhas suicidas prontas para serem abatidas ao bem prazer dos famigerados controladores do sistema! Levantemos e vamos já tomar parte do fato, mas não como meros espectadores, mas como amigos do Estado, da PM e amantes da vida e da justiça, sobretudo. Afinal, paz é preciso; mais: viver com dignidade é fundamental!

Por Diógenes Pereira. SSa-Ba, 08/02/2012. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Preciso? [poema]

Não vou te dizer quem sou, 
nem o que penso,
nem o que sinto.
Até porque vou te assustar,
mas se você tiver coragem de se
jogar na ousadia e afastar o medo,
vai ser puxado pelo sorriso;
aquele que vai lhe mostrar, por você mesmo,
através de mim, que o mundo vai além de tudo aquilo que
ordinariamente percebemos.
Não é à toa que o mundo é dos solitários.
Viva e Vida aos Semeiranembeira!


Diógenes Pereira. SSa-Ba, 06/02/2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Que delícia! [poema]


Nada tão lúcido 
como um gostoso tapa na cara!
O ardor, a dor, a vergonha, a marca que ficam
diluem a ingenuidade. 
Vai embora o sorriso, e fica a sisudez.
E mais que despencar da cama, 
eu sou arrastado para a o dia a dia;
atirado à trama perversa, traquina, ardilosa
que envolve os interesses divergentes 
quando a razão é mais de um...
Chega de ilusões, basta de fantasias!
Infelizmente, não existe espaço seguro
para aqueles que sonham demais,
acreditam demasiadamente no próximo.
Os valores são outros. 
É o carrasco que tem mais admiradores.
Mas, mesmo assim, o coração idiota,
abalado, continua dando a outra face sempre.
Saldo: mais uma como experiência.
E vivência é maravilhosa;
auxilia a gente nas nossas próximas derrotas.
Que venha mais vida, sim!
De pé estava, caído fiquei, reerguido me encontro.
Círculo que nunca termina.
Sempre tem mais coisa pra aprender 
sempre pelo jeito mais, mais, mais humano.
Porque tudo faz parte do humano,
desde o divino ao demoníaco e mais aquilo
que transcende tudo que acreditamos, descremos,
percebemos, nos escapa.

Diógenes Pereira. SSa-ba, 25/01/2012.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A maior das... [poema pílula]

Vivo a expectativa de um dia
tornar o sonho de ter alguém especial
a realidade do coração que sorri
com as bobagens que são contadas para os olhos...
todo amor é bobamente único
e infinitamente compatível com a verdade:
viver acompanhado é muito mais
resenhante que estar em solidão.
Afinal, que graça tem fazer e ter,
e não ter para quem contar e dividir?

Dió. Ssa-ba, 16/01/2012

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Do sofá [poema]

do sofá olhava a rua...
muita gente, muita agitação
e em casa apenas o silêncio corrosivo
de quem só aguarda passivo
à mercê da tortura duma mente criativamente criminosa
e a esperança de tê-lo mais uma vez 
me alimentava em ilusões
recorria a lembranças dum passado maravilhoso
pintava uma figura, escupia um sujeito, fantasiava, delirava
esboçava sorrisos débeis a fim de fugir 
da tortura de quem não tem notícias
quantas vezes o celular, o telefone, a internet, a janela, a porta
eram todos, era tudo, menos quem esperava
quantas vezes tive o impulso de descer de minha torre intocável
e ir ao povo à procura de quem não se sabe por onde buscar
ignorância total, indiferença absoluta
e toda a arrogância já tinha sido diluída
toda vaidade já tinha sido esfacelada
toda resistência, vencida
totalmente vulnerável, irreconhecível
até as lágrimas já tinham me abandonado
solitário, só me restava acreditar na Morte
e, num derradeiro momento, ouvi o inesperado
"Pai, cheguei! Que dia cansativo. 
O que foi, por que me olha assim?"
E o abraço forte foi a resposta que não queria ter fim
afinal, o adeus é  mais que certo; é inevitável
mas o encontro é tão incerto
quanto tentar medir o amor que está em outro coração.

Diógenes Pereira. SSA-ba, 16/12/2011





Onde se chega em doação [poema]

Já era dia
e o Sol se apresentava com seus primeiros braços ainda tímidos
mas inconfundíveis pelas frestas da cortina traidora,
 anunciando mais um dia somado à Vida
e o abraço apertava mais forte
como se tentasse burlar o tempo
congelando aquele momento de compartilhamento
sobre o leito, tinha apenas um corpo e uma só alma
fundidos pela vontade única de provar o sabor que
só se resgata por meio da servidão permitida em reciprocidade 
e os dedos iam sorrateiros, cheirando cada passo dado
fazendo do espaço além das pálpebras um mundo criativo em 3D
e a boca também acompanhava
vinha raspando seus lábios carentes sobre as costas
que os recebiam com o convite do corpo aberto
louco para ser explorado até a exaustão
pitoques de beijinhos salpicados por pequenos e intensos
puxões sobre a carne rija
que tremia, denunciando sua fraqueza ante a fome do predador
as pernas se entrelassavam, despenteando os pelos suados
e a dança ia completa de acordo com o som ritmado
das respirações ofegantes e dos corações em infarte desejado
a vontade maior era ter um por dentro do outro
mais próximos, o peito casava com as costas
firmando sua posição ativa
os sussurros falavam por si em gritos abafados
os rostos se encontravam
e completavam a festa ao notarem a vaidade da posse em
doação mútua
crescente, as sensações provocadas 
iam inflando mais e mais o que ia irromper em breve
e muito breve a explosão veio em simultâneo
era o gozo que se apresentava em pico
descansados, ambos rolaram para o lado
e o entreolhar confirmava o sonho vivido
 em desejos corajosos
e uma mão veio à face, toque sutil
em resposta, a boca se arriscou e assinou a gratidão
com um delicado beijinho sobre a testa e depois sobre os olhos
e os narizes se animaram em alternar passos entre si
e o mundo? esse era apenas aquele momento
nada mais importava a não ser a companhia
daquele que fazia de mim mais que um homem
O Animal gozado pela marca daqueles que
se jogam na descoberta do desconhecido
por meio do encontro incerto de conveniências distintas,
que, naquele momento, firmavam acordo comum:
prazer, simples assim: prazer!

Diógenes Pereira. Ssa-ba, 16/12/2011





terça-feira, 13 de dezembro de 2011

QUANDO O ENCONTRO SE PERMITE [POEMA]

despertei preguiçoso, num suspiro tão profundo,
chamando a cada músculo de acordo com a vontade deles,
sentindo toda a dimensão do corpo que anseia
e o sorriso manhoso dizia tudo e mais um pouco
e os olhos cerrados, nas entre linhas,
reviviam os momentos de entrega completa,
sem esperar, o desejo retorna
e quer buscar o que a vontade exige
e a alma logo sentiu a ausência do calor
num impulso único,  a mão correu o outro lado da cama
e nada encontrou
foi a vez dos pés procurarem em outras partes
nada outra vez!
o susto logo trouxe arrepios
num giro, explorei todo o quarto
onde está? para onde foi? o que aconteceu?
coração abandonou a paz daqueles que tem a cresça
cega de que possui o amor
e não acreditava: não foi um sonho! foi real! estava aqui!
senti, toquei, provei!
saltei num pulo e em dois passos,
as funções essenciais voltaram ao estado de quase paralisia
os pés não tocavam o chão
a respiração só buscava seu cheiro
que faz da mente lugar vazio de racionalidade
e o barulho renunciou sua voz
e lá estava, em pé, debruçado sobre a pia,
apenas conversando com o narciso
de cá, observava bobo o que em posse ilegal pertencia
aos domínios de minha fome
necessidade de compartilhar o que só se divide com aquele
que parece que não existe de tão raro que é
por trás, o encontro se consumou
os pelos eriçados de corpos perfeitos encaixavam as linhas sobre as curvas
 e o que não se ensina passou a ditar os movimentos
bem juntos, as mãos dançavam sobre corpo quente
e a face de barba rala marcava seu caminho
espetando deliciosamente o dorso, a nuca, raspando a orelha
dando a volta para que os lábios se encontrassem
em uma só boca
o ar já era vapor
e ali mesmo o espelho embaçado assistiu ao que muitos só
têm em delírios de sonhos e fantasias...


Diógenes Pereira. sSA-BA, 13/12/2011





quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Memorial de formação [textos acadêmico]


Universidade Federal da Bahia
Instituto de Letras
Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística
Rua Barão de Geremoabo, nº147 CEP: 40170-290
Campus Universitário – Ondina, Salvador-BA
Fone/Fax.: (71) 2636256   E-mail: pgletba@ufba.br



Diógenes Pereira da Silva



MEMORIAL DE FORMAÇÃO



SALVADOR, 27 DE OUTUBRO DE 2011






DIÓGENES PEREIRA DA SILVA




MEMORIAL DE FORMAÇÃO

Memorial apresentado ao Curso de Letras –      Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística, da Universidade Federal da Bahia,  como um dos pré-requisitos para a seleção do Mestrado Acadêmico.



SALVADOR, 27 DE OUTUBRO DE 2011


1 Trajetória até a Universidade

            Derradeiro entre cinco filhos homens, de origem humilde da periferia soteropolitana, com mãe dona de casa e pai mecânico – ambos com baixa escolaridade –, sempre tive grandes ambições, e poucos recursos. Estudei sempre em escolas públicas. E sonhei muito adentrar numa universidade de qualidade, o que me possibilitaria ter outra realidade daquela que era comum à minha família, amigos e conhecidos.
            Tentando concretizar uma ideia de unificar a língua portuguesa, esboçado ainda na sexta série do ensino fundamental, busquei de muitas formas resposta para aquilo que me intrigava: como a língua portuguesa poderia ser tão diferente nos países onde ela é falada se ela é uma só língua? Até que, no ano de 2002, sem ter mais como caminhar sozinho, enviei cartas para vários órgãos. Entre eles, Ministério da Cultura do Brasil e de Portugal, Academia Brasileira de letras, Academia de Letras da Bahia, Centro Cultural de Belém (Lisboa) e Ufba. Da última, tive resposta mais significativa. Lembro que quem me recebeu em entrevista foi a Professora Sonha Borba, que ficou admirada com minha obstinação. A partir daquela conversa, percebi que fazer letras era mais que uma opção; seria a escalada para um futuro melhor.
            Finalizando o terceiro ano do ensino médio, com apenas 18 anos de idade, decidi estudar para o vestibular. Cursava o ensino médio à tarde no centro da cidade e, à noite, ia a um bom cursinho intensivo por quatro meses – era estudante bolsista. – Também fiz um ótimo curso de português nos fim de semanas como bolsista, para o qual ia andando, cerca de 8 quilômetros de ida e volta.
Chegado o período, prestei vestibular para a Uneb, Ufba e Uefs no final de 2002 e início de 2003. Mesmo tendo muito medo da mistificada prova da Ufba, que naquele ano tinha uma temida inovação (a prova discursa na segunda etapa), consegui passar em terceiro lugar nela e em segundo na Uefs, ambos para o curso de Letras.

2 Na Universidade Federal da Bahia

A Ufba era um sonho que se realizara! Lembro que foi um dos melhores momentos de minha vida. Muito novo, bastante inexperiente, tudo era novidade. Muita coisa me deixava animado, contudo a alegria logo cessou devido às dificuldades.
Sem dinheiro nem apoio de familiares e amigos, não tinha dinheiro nem para o transporte diário! A solução foi ir andando, cerca de 10 km de ida; a volta era por meio de “caronas” no transporte público.
Dificuldades à parte, fiquei muito chocado com as aulas de Teoria Literária e muito animado com as de linguística. Até meados do curso, tudo indicava que concentraria meus estudos em língua. Contudo, meu perfil questionador e filosófico me conduziu para a Teoria Literária. Tinha me encontrado. Conseguia dar espaço para minha mente inquieta.
Consegui também arrumar tempo para os estudos e a militância estudantil. Fui membro do Centro Acadêmico.  Mantive bom nível nos estudos. Concluí meu curso em tempo hábil de 8 semestre corridos com bom aproveitamento.
Apenas o fato de estudar na Ufba me legou oportunidades. No primeiro semestre, provei a experiência de ser professor pela 1 vez, a qual não parou mais. Dei aulas em muitas escolas durante o período em que era estudante. Entretanto, a maior experiência foi ser auxiliar de produção do famoso programa de televisão Aprovado!

3 Após a formação acadêmica
             
 Logo após a formação acadêmica, a realidade me chamava. Tinha que conseguir um emprego já! Fui contratado para trabalhar como produtor de jornalismo na Tv Camaçari. Cerca de 4 meses depois, saí. Fui convocado pela Polícia Militar para ser soldado. Tinha acabado de passar no concurso, mas não demorei a sair de lá. Como o regime militar é extremamente rígido e autoritário, não me adaptei. Em seguida, fiquei cerca de 4 meses desempregado, estudando para concursos públicos. Por fim, passei a trabalhar na Escola Sartre COC. Dei aulas em outras escolas também, inclusive na Rede Pública de Ensino (Prefeitura e Estado).
           
4 Pretensões

            Ao longo desses quatro anos desde que me formei como Bacharel em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia, sempre tive em mente a vontade e o desejo de prestar seleção para o mestrado e dar continuidade à carreira acadêmica. Impedimentos da vida, todavia, não me permitiram concretizar esse objetivo.
            Estive, sim, afastado do meio acadêmico durante esses quatro anos após minha formação em Letras, mas nunca deixei de ler, estudar, pensar, refletir e produzir. Escrevi e continuo produzindo muito, desde poemas, crônicas, artigos de opinião até contos, livros didáticos e romances (em construção) . Divulgo-os no meu blog: http://dionuance.blogspot.com/
            Levei muitos tapas da vida. A cada um deles, convencia-me que meu lugar é na Academia! Agora chegou o momento de tentar voltar ao rumo que escolhi desde que esbocei meu primeiro projeto acerca da língua portuguesa, lá na sexta série do ensino fundamental, há cerda de 13 anos.
Estou convicto de que este é o momento. Organizei minha vida de tal modo que o objetivo de ingressar e estudar no mestrado da Ufba é a maior de minhas prioridades a curto e médio prazo. Creio que tenho muito a contribuir para a pesquisa acadêmica com meu perfil crítico-analítico, sensível, criativo, inovador e questionador. Tenho fome de conhecimento e muita facilidade de aprender. Gosto de desafios. E creio que o mestrado na Ufba vai ser uma experiência vital para minha vida tanto profissional como íntima – realização como sujeito.
Conquistando o mestrado acadêmico na Ufba, a ambição é o doutorado, o pós-doutorado, o concurso público como professor universitário e a pesquisa a longo prazo. Sei que dificuldades me aguardam, mas desafios sempre foram presença em minha vida. Esse fato só me fez amadurecer e crescer. Medo, às vezes, tenho, contudo a vontade de vencer é muito maior.

NOTA: 

ESTE TEXTO FOI ESCRITO EM APENAS UM ÚNICO DIA, COM MENTE MUITO CANSADA. NÃO HAVIA MUITO TEMPO PARA ENTREGÁ-LO COMO UM DOS ITENS EXIGIDOS PARA A INSCRIÇÃO NO PROCESSO SELETIVO DO MESTRADO DE LETRAS, UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA. LOGO, PEÇO DESCULPAS PELA SUA MEDIOCRIDADE CRIATIVA.